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O estudo destinado a explicação dos
nomes próprios recebe o nome de Onomástica, que é um dos
ramos da lingüística onde se inclui a Antroponímia, que é o
estudo dos nomes das pessoas.
Antroponímia brasileira
Fonte: Dicionário de nomes próprios,
Salvato Claudino, Editora Thirê Ltda, S. Paulo, 1996
Os Antropônimos estão documentados e registrados em todas as raças e
línguas, fazendo parte da cultura de todos os povos desde as eras mais
primitivas.
Apelidos ou nomes foi a forma encontrada pelos seres humanos para
distinguir as pessoas da família e da comunidade, facilitando assim, a
identificação de cada um de seus membros.
Inicialmente, apenas um nome era suficiente para a identificação, mas
com o crescimento das famílias e a população das comunidades, alguns
nomes começaram a se popularizar e a serem também usados por
descendentes de outras famílias, gerando assim, dificuldades na distinção
de cada pessoa. Houve então, a necessidade da criação de um segundo
nome que acrescentado ao primeiro identificasse melhor as pessoas.
O segundo nome foi surgindo naturalmente, aliado a peculiaridades
referentes à pessoa, identificando-a imediatamente: João Oliveira, ou
João, que planta, cuida ou vende olivas; Paulo Ferreira, ou Paulo, o
ferreiro ou aquele que trabalha com ferro; Luiz Serra, ou Luiz, o que
mora na serra ou no alto da montanha; Pedro Carneiro, ou Pedro, o que
cria carneiros; Sérgio Fortes, ou Sérgio, o forte, o musculoso, de
aparência forte; Luiz Guimarães, ou Luiz, nascido ou procedente da
cidade de Guimarães; Antônio Lago, ou Antônio, o que pesca ou mora próximo
a um lago; Cláudio Branco, ou Cláudio, o de cor bem clara, branca; João
Batista dos Reis, em veneração aos três reis magos da história cristã;
Carlos Pontes, ou Carlos, o que constrói pontes. Assim, desta forma
simples de apelidos, foram surgindo nomes que seriam adotados como
sobrenomes, simplificando a identificação dos indivíduos e das famílias
dentro das comunidades.
Na formação dos antropônimos brasileiros houve a influência de vários
povos e idiomas. O português, o espanhol, o italiano, o alemão, o
hebraico, o árabe, o inglês, o francês, o latim, o anglo saxão e
outros com menor participação, como a nação indígena que habitava
nossas terras, antes do descobrimento.
No início da colonização do Brasil somente foram implantados Cartórios
de Registro Civil nas principais cidades onde residia a maioria dos
fidalgos. Ficou, então, para os padres da Igreja Católica,
principalmente os jesuítas que catequizavam pelo interior, estabelecer
através dos casamentos e batizados, os nomes e sobrenomes. Porém,
somente as crianças com os nomes de origem bíblica, santos ou usados
pelos fidalgos eram aceitos para batizar, enquanto os de procedência
indígena ou negra (afro), eram aconselhados a trocar por um desses
nomes mais conhecidos dentro das classes dominantes.
Deve-se reconhecer, entretanto, que foi muito proveitosa a colaboração
cultural da Igreja na forma da antroponímia no início da colonização
do Brasil. Apesar das censuras impostas, se não houvesse os livros de
registros de batizados e casamentos da Igreja Católica, muitos nomes e
sobrenomes de famílias que no país habitavam, teriam desaparecido no
tempo e da história, já que os governantes da época tinham pouco ou
nenhum interesse em saber de nomes e sobrenomes, onde e como viviam as
famílias de então.
O estrito acesso ao estudo e à cultura fez evidentemente com que
durante quase 500 anos muitos erros gráficos e ortográficos fossem
cometidos por quem foi oficializar o nome ou por quem registrou: Bibiano
ou Bibiana, que devido à pronúncia do imigrante português, fez surgir
Viviano ou Viviana; do erro de escrita do nome Ewaldo, nasceu Euvaldo;
Alzira, que passou também a ser grafado Elzira; Eurides, que é Orides;
José Sidnei, que passou a ser também José Sídio. E muitos outros.
Todavia tais erros cometidos ingenuamente por padres e oficiais do
Registro Civil, muito eles colaboraram para o enriquecimento do nosso
vocabulário de antropônimos.
Até o século passado predominaram os Antônios, os Joões, Josés,
Marias, Paulos, Sebastiões, Pedros, Luzias, Terezinhas, Franciscos...,
e alguns por serem de personalidades da Igreja Católica: Moisés, Abraão,
Samuel, Sara, Salomão, Joab, Adão, Eva, etc., todos citados na Bíblia.
Os Joaquins e os Manuéis que eram muito populares em Portugal vieram
junto com a colonização.
Com as imigrações dos germânicos, anglo-saxões, espanhóis,
italianos, que aqui foram chegando, começou também a se diversificar a
antroponímia brasileira.
Se até então era predominante os Antônios, Marias e Josés..., a
partir daí começaram a surgir Adalbertos, Arletes, Cláudios, Clovis,
Ewaldos, Giovanis, Gertrudes, Guilhermes, Robertos, Ronaldos, Walters,
Wilsons..., acrescentando assim, uma valiosa colaboração para o
enriquecimento dos antropônimos brasileiros.
Não se pode esquecer a grande colaboração de José de Alencar,
Anchieta, Lemos Barbosa, Gonçalves Dias, Taunay, Teodoro Sampaio e
outros escritores que através de suas obras que fazem parte do patrimônio
literário da nossa cultura, conseguiram integrar e popularizar dentro
do costume de nomes próprios predominantemente das raças brancas, vários
nomes indígenas na antroponímia brasileira, como: Guaraci, Iracema, Juçara,
Juracy, Jurandir, Moacir, Ubiratã, Yara e muitos outros.
A participação do povo também foi importante dentro desta conjuntura.
Da criatividade popular nasceram os nomes: Juliene, que é a justaposição
de Júlia + Enio; Lucineide, que é a justaposição de Lúcio + Neide;
Ezimar, que é a justaposição de Ezio + Maria; Genivaldo, que é a
justaposição de Geni + Osvaldo; Josmari, que é a justaposição de
José + Maria; Elenice, que é a justaposição de Hélio + Eunice...
Os étimos dos antropônimos exerceram e exercem pouca influência
quando da escolha de novos nomes. A Bíblia, a Igreja, a música, a política,
a literatura, a televisão, tiveram e têm maior influência que os
significados etimológicos na popularização dos nomes das pessoas.
Os nomes dos apóstolos e santos se popularizaram em todas as camadas
sociais sem ser considerado o significado etimológico. Também nomes
como Adolfo, Afonso, Amélio, Benjamim, Carmem, Carlos, Carol, César,
Cláudio, Dante, Elizabeth, Franklin, Getúlio, Guilherme, Henrique,
Iracy, Iracema, Jânio, Joana, Julieta, Victor, Vladimir, Washington e
Wellington, Yara, e tantos outros se tornaram populares por ser, cada um
deles, nome de pessoa que se tornou admirada por suas qualidades de político,
governador, herói histórico ou mitológico, personagem de um romance
ou de novela, nome de música ou de artista, ou ainda, para homenagear
pessoas amigas ou da família, e não pelo sentido étimo propriamente.
A escolha de um nome começa quando é anunciada e confirmada a
gravidez. A partir daí se inicia um longa peregrinação de A à Z por
livros e revistas para escolher um nome que seja forte, bonito, simpático
e admirado. Sugestões de familiares e amigos são também aceitas, e
normalmente é elaborada uma grande lista. Mas, na verdade, quem vai
decidir são os pais. Só eles é que darão a palavra final.
Se ao escolher nome para um filho ou filha os pais consultassem um
dicionário étimo de antropônimos, provavelmente nomes como Pedro,
Paulo, Cláudio e outros não seriam tão populares; as preferências
provavelmente recairiam para Carlos, Apolo, Gumercindo, Humberto,
Reinaldo, etc. Entretanto, muitas vezes são esquecidos detalhes
importantes nesta escolha. É preciso lembrar, em primeiro lugar, que o
nome escolhido não é marca ou propriedade de quem escolhe e sim a
identificação de uma pessoa por toda a vida; e em segundo lugar, o
sobrenome que também o acompanhará. É importante também ressaltar a
tradição mais que secular de composição do nome de uma pessoa, com o
prenome sucedido com pelo menos dois apelidos de família oriundos de
sua ascendência paterna e materna.
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